No Brasil, é muito comum ouvirmos “brechó” e logo imaginarmos um monte de roupa fedorenta, com cara de tia dos anos 80, em estado de desgaste e dentro de um balaio enorme. Infelizmente, essa é uma realidade em muitas lojas do nosso país, mas não é uma verdade absoluta.

Vem crescendo o número de brechós que tratam o seu “produto” bem, passando por uma inspeção antes de ir pra venda, sendo levado para os cabides com cheirinho de “confort”, com opções próximas para combinar no look. Ainda sim, existe uma cultura predominante na nossa amada pátria que acha que brechó é coisa de “pobretão”. Vou te mostrar agora que não, não é.

Dividindo um pouco da minha experiência como “brechozeira”, sempre me agradou o fato de achar boas peças por um preço em conta, além do fato de eu amar pensar que cada roupa possui uma história.

Na Europa, é extremamente comum todo tipo de gente ir garimpar roupas em brechó. Quando morei lá, vi que se tem o pensamento de que sempre pode se achar algo legal, e combinado com o fato de os europeus, em grande maioria, cuidarem bem das roupas e venderem aquilo que realmente pode ser utilizado por outra pessoa, os second hand shops ou thrift shops possuem uma popularidade de dar inveja a qualquer Zara da vida.

Em Estocolmo, participei de um brechó de rua onde você se cadastrava, conseguia um espaço na praça e colocava suas roupas e itens à venda. Estava com umas amigas que estavam vendendo roupas e itens para arrecadar dinheiro. O que eu presenciei cuidando da “vendinha” foi muito legal: Vi senhoras de óculos Prada e bolsa Louis Vuitton garimpando sapatos, senhores super bem vestidos à procura de antiguidades, jovens modernas escolhendo peças vintage. Também vi gente simples de todas as formas buscando roupas mais em conta. Tudo isso junto e misturado! Ninguém fazia cara feia de dividir uma arara enquanto procurava por algo. Nisso eu já vi que aqui não tem essa de achar que brechó é coisa de quem não tem dinheiro, mas é um ambiente onde todo mundo tem lugar.

Também pude visitar alguns brechós “profissionais” na cidade, onde as roupas são etiquetadas e organizadas de acordo com o tamanho e tipo. São frequentados também por todo mundo, e pude adquirir MUITA coisa boa e de qualidade por um preço mais em conta.

O mesmo acontece na Inglaterra. Tanto os brechós de rua quanto as lojas são frequentadas por todo mundo e sempre se acha algo bacana pra levar pra casa.

Agora você me diz: Ah Célia, na Europa é fácil, quero ver você ir comprar coisas no brechó aqui no Brasil…

Minha amiga, eu tenho mestrado, doutorado e título de Brechozeira Mor, todos conquistados no Brasil! A verdade é que, como tudo nessa vida, você tem que pesquisar!

Tem brechó ruim? Tem. Tem brechó fedido? Tem. Tem brechó maravilhoso onde a gente encontra coisa boa por precinho camarada? Tem também!

Eu, particularmente, prefiro os brechós trimestrais de paróquia ou de associações em geral. O que ocorre é que nestes, as pessoas são cuidadosas no que vão doar.

Infelizmente ainda temos a mentalidade de colocar pra doação somente aquela roupa que tá em muito mal estado. Isso se reflete nos brechós “profissionais” mais simples, onde você vê muita coisa ruim. Mas nos que eu citei primeiramente, as pessoas doam com mais carinho, então fica mais fácil de achar coisa boa.

Também gosto dos brechós profissionais com uma pegada “cult”, geralmente super bem decorados e com uma playlist legal no fundo. Eles seguem muito do estilo europeu, onde se cuida do produto, etiquetando e organizando por tamanho e tipo. Esse é o modelo que eu torço para que continue aumentando no Brasil.

Indo um pouquinho acima do meu humilde orçamento, também sei que temos brechós de peças de luxo, onde você adquire de segunda mão peças de grandes grifes, como Burberry, Chanel, Prada, entre outros. Estes, em maioria, são online e completamente organizados, mostrando que a tendência “second hand” já é realidade na “High Society”.

Dica:

https://www.pegueibode.com.br

https://m.videdressing.com

Adentrando no mundo virtual, já existem sites onde você cria sua “lojinha” e vende suas peças, enviando pelos Correios. Sites como o Enjoei possuem até um sistema para pechinchar, o que torna a coisa bem divertida.

Dica:

https://www.enjoei.com.br

http://www.cafebrecho.com.br/

Além da questão econômica, ao adquirir peças num brechó você também está, de certa forma, reciclando. É assustador ver o quanto de químico é jogado na natureza ao tingir um tecido. Também é horrível ver tanto material e roupas sendo jogado fora por estar “usado”. Pensar em sustentabilidade é, também, um ato de carinho com o lugar onde vivemos. Graças a Deus, o “Green Fashion” está em alta e é algo que deve permanecer.

Dito isso, não digo que você não vá mais comprar roupas novas. Tem coisas que você só acha em lojas, no estado de novo, e também acho importante valorizar as nossas costureiras, empreendedoras autônomas e pequenas empresas que se esforçam para criar produtos de boa qualidade. Dou maior ênfase nestas, uma vez que hoje em dia sabemos que tem muito trabalho escravo por trás do nosso fast fashion. 🙁

Na segunda parte deste texto, que devo publicar em 1 mês, vou dar umas dicas para ajudar você a virar, de fato, uma brechozeira de carteirinha. Neste primeiro, quis tentar desmistificar os brechós e mostrar que dá sim pra achar muita coisa boa. É uma excelente economia no orçamento, é fashion, é sustentável e ganhou completamente meu coração.

E aí, o que você achou? Também gosta de brechó? Quer compartilhar sua experiência conosco? Por favor, deixe nos comentários.